Carta dos Bispos – Ano da Fé

CARTA DOS BISPOS AOS DIOCESANOS DO PORTO, sobre o Ano da Fé

Caríssimos irmãos e irmãs da Diocese do Porto: Ouvidos o Conselho Presbiteral e o Conselho Pastoral, bem como os Vigários e Adjuntos, escrevemos-vos esta carta, referente ao próximo Ano da Fé e à sua preparação, especialmente no âmbito das vigararias. Saindo agora, permitirá a organização atempada das Jornadas Vicariais da Fé, que, de Novembro próximo a Junho de 2013, pontuarão programaticamente a vida diocesana.

O Ano da Fé na Diocese do Porto

1. O que o Santo Padre Bento XVI nos propõe, para celebrarmos o Ano da Fé (11 de Outubro próximo a 24 de Novembro de 2013), é da maior conveniência e oportunidade: a 11 de Outubro comemoram-se os cinquenta anos da abertura do Concílio Vaticano II, acontecimento determinante da vida da Igreja, hoje como então.

Estas grandes reuniões, protagonizadas pelos Bispos de todo o mundo em torno do Sucessor de Pedro, têm geralmente uma fase preparatória, mais ou menos longa, pois se refere a movimentos profundos da vida eclesial, tanto espirituais como doutrinais e pastorais, que depois desembocam nas decisões conciliares. No que ao Vaticano II respeita, tal é detetável em vários pontos, que muito herdaram dos movimentos litúrgico, bíblico, patrístico, laical, missionário e ecuménico, das décadas anteriores.

Outra fase é a da realização ou reunião conciliar propriamente dita, como aconteceu entre 1962 e 1965, nos pontificados de João XXIII e Paulo VI. Nela se refletiram, ultimaram e publicaram importantes documentos – constituições, decretos e declarações – que marcaram a vida eclesial do último meio século, tanto internamente como na relação com o mundo.

Mas, para que um Concílio dê todo o seu fruto, segue-se necessariamente a fase da sua receção pela Igreja universal, absorvendo e concretizando as determinações por ele deixadas. Nesta fase estamos nós e nela precisamos de continuar ainda, para que o “aggiornamento” esperado pelo Beato João XXIII nos faça retomar e propor mais a fundo e ao largo a seiva e a forma do Cristianismo autêntico, como hão de ser tomadas nos dias que vivemos.

2. Na sequência do Concílio e sistematizando-lhe as grandes linhas – sobre Deus que se revela, a liturgia que O celebra, a Igreja que O testemunha e o mundo que O espera -, surgiram o Catecismo da Igreja Católica (1992), o respectivo Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (2005) e mais recentemente o Youcat – Catecismo Jovem da Igreja Católica. Com estes e outros subsídios, ser-nos-á mais fácil aprofundar e viver a fé católica, na sua harmonia interna e na respectiva aplicação à vida.

E assim importa que seja. Na carta apostólica com que anuncia o Ano da Fé, o Papa Bento XVI constata e como que denuncia um débito que honestamente reconheceremos, também entre nós: “Sucede, não poucas vezes, que os cristãos sintam maior preocupação com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerada esta como um pressuposto óbvio da vida diária. Ora esse pressuposto não só deixou de existir como, frequentemente, acaba até negado” (Porta Fidei, nº 2).

Facilmente concordaremos que assim é. E, sendo boa e necessária a nossa presença na sociedade e na cultura, requer-se que ela seja sustentada por uma fé verdadeiramente evangélica e eclesial, que não a deixe definhar e diluir-se, tornando-se insignificante e, afinal, dispensável.

Na mesma carta apostólica, o Papa acrescenta a propósito: “Para chegar a um conhecimento sistemático da fé, todos podem encontrar um subsídio precioso e indispensável no Catecismo da Igreja Católica. Este constitui um dos frutos mais importantes do Concílio Vaticano II” (Porta Fidei, nº 11).

3. Outro ponto ainda se releva, e da maior importância. Podemos caracterizá-lo como redescoberta

cristocêntrica da fé e da vida que levamos. Basta ler os documentos conciliares para verificarmos que essa foi também a insistência dos seus membros, bem como dos dois Papas que presidiram àquela magna assembleia. E quem viveu antes e depois de 1962 certamente confirmará que ficou mais nítida a radicação em Cristo de tudo o que a Igreja proclama, celebra e testemunha: Cristo, em quem culmina tudo o que o Pai tem para nos dizer; Cristo em cuja acção de graças participamos, pela filiação divina que nos ofereceu; Cristo, no qual a Igreja é sinal e instrumento de unidade de todo o género humano; Cristo, que a Igreja oferece à humanidade e ao mundo, como revelação do que uma e outro podem e devem ser…

Por isso diz ainda o Papa: “Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só nele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro” (Porta Fidei, nº 15).

4. Várias são as sugestões para a vivência do Ano da Fé na Igreja universal e local, provindas da Santa Sé e mais próximas. Na nossa Diocese do Porto, abrir-se-á oficialmente com uma celebração na Sé, no Domingo 4 de Novembro, já que o Bispo diocesano estará em Outubro em Roma, no Sínodo dos Bispos; e prevê-se um Congresso Diocesano de Confrarias do Santíssimo Sacramento, por altura do Corpo de Deus.

Mas o Ano da Fé decorrerá principalmente em torno das Jornadas Vicariais da Fé, a partir de Novembro, com a presença do Bispo diocesano e do Bispo que acompanha mais de perto a vigararia em que se realizam. Sucedendo-se umas às outras, as Jornadas agregarão sobretudo os “educadores da fé” das paróquias, num sábado e Domingo, com este programa básico e possível: no sábado à tarde, um encontro de testemunho e reflexão sobre a transmissão da fé nas famílias, comunidades e movimentos; no sábado à noite, uma vigília de oração, centrada na escuta de alguns trechos da Palavra de Deus que melhor concentrem o anúncio pascal (querigma) e na adoração eucarística, em que a Palavra se faz sacramento “para a vida do mundo”; no Domingo à tarde, uma grande celebração eucarística, destacando-se particularmente a proclamação do Credo.


O Ano da Fé inicia-se a 11 de outubro, data em que passam 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, terminando a 24 de novembro de 2013, último domingo do ano litúrgico.